quarta-feira, 21 de outubro de 2020

A História de Jó

A História de Jó

 

In the sweat of thy face shalt thou eate bread , till thou returne vnto the ground: for out of it wast thou taken, for dust thou art, and vnto dust shalt thou retorne.

 Genesis3.19

1611 Edition; King James Version

Havia há muito tempo um homem que se chamava Jó. Era da terra de Uz lá pelos lados do oriente. Muito rico, tinha fazendas, plantações em abundância, muitos filhos, boa esposa e muitos amigos influentes. Comandava aquela terra, uma oligarquia cuja família mais importante era a dele.

A cada ano mais prosperava. Amável, benevolente e caridoso. Não havia, porém compaixão e nem temor a Deus. Blasfemava e ao mesmo tempo em que mantinha ações beneficentes ria dos necessitados às escondidas. Para ele Deus era uma invenção da pobreza e da preguiça alheia.

Fazia sempre o que queria e sua vontade era lei. Sem temor não há obediência. Sem amor também não há obediência. Em sua vida, ele era o senhor e só ele. Orgulhoso por suas conquistas financeiras e sociais desprezava o próximo que por incompetência não conseguia a prosperidade.

De todo modo era uma pessoa boa, mas sempre recebia a glória de sua bondade. A função de sua bondade era arquitetada, como não era bobo, sabia muito bem tirar proveito de cada um de seus feitos beneficentes. Cada feito um favor devido! Assim as autarquias caminham.

Seus dias foram passando e cada um que vivia era um a menos. Sua esposa adoeceu. doença sem cura! Faleceu em poucos meses e ele se viu sozinho. Idoso, viu a morte de seus amigos, um por um. A solidão cada vez mais próxima. Adoeceu; manchas no corpo e pele anestesiada. A lepra o fez maldito, foi afastado, colocado em isolamento no deserto. Vivia e se alojava nas fendas das pedras. Alguns caridosos jogavam comida e trapos velhos. Depois de alguns anos neste estado de isolamento e ostracismo, o governador conseguiu que ele fosse transferido para o buraco dos leprosos, impuros e desvalidos. O buraco era o fundo de um despenhadeiro. Ninguém descia e ninguém subia. Só amarrados em cordas. Lá ninguém o conhecia. Seu corpo estava desfigurado, pústulas o encobriam. Defecava no chão e vez ou outra se lavava no riacho que contornava o buraco, a parte baixa de um rio lamacento. Feridas o incomodavam e não o deixavam dormir. Cansado, irritado, despojado, caminhava sem direção durante todo o tempo. O governador recolhia de beneficentes alimentos e roupas que eram colocados no buraco dentro de redes e cordas que desciam e subiam. Lá em baixo, impuros famintos se apertavam esperando a chegada dos alimentos.

As mortes eram diárias e os corpos jogados em valas distantes formando um vale de ossos. (Assim diz o Senhor: profetiza Ezequiel, profetiza - recobrirei todos esses ossos com carne viva e ficarão novamente cheios do Espírito Santo.) Jó se achava nestas condições, sozinho, abandonado. Os filhos pegaram a herança e seus bens, antes muito valorizados e dos quais muito se orgulhava Jó, foram despojados pelos filhos. Arrancaram, venderam, fizeram lucro e transformaram todos eles. Não havia escrúpulo nem consideração. Havia sim, muita fidúcia.

Jó foi reduzido a pó, se transformou em lama. Tudo que fora sumiu e valor algum ficou.

A vida de Jó já se ia, seu tempo preste a expirar. Triste e cabisbaixo andava e tentava entender o que tinha acontecido com ele. Não havia resposta e nem sentido. Um grande oligarca jazia no buraco dos leprosos sem visita e sem atenções.

Já sem forças para caminhar ou comer, pela primeira vez, clamou a Deus. Sem qualquer esperança, mas se voltou para o Altíssimo. Ouviu então a voz: Jó, meu filho amado, não sabias tu que não passavas de pó e cinza? Por que tiveste que chegar a esse ponto para descobrir? Jó, assustado, respondeu: Senhor tenha misericórdia e me ajuda, não aguento mais este sofrimento, este abandono. Deus prossegue: não estás abandonado, Eu, o Altíssimo, estou contigo. Sempre estive e tu nunca deste conta de minha presença. Muito atarefado não é Jó? Porém agora chamou a Mim e Eu te escutei e vim em seu socorro. Terás paz e Eu te levarei comigo.

Sabes tu que sou misericordioso. Eu sou o Amor, a Compaixão e a Justiça. Jó, a justiça, em seu caso, foi feita. Alguém foi condenado em seu lugar, por livre e espontânea vontade, não pediu nada em troca, cumpriu a pena para ti, pena de morte. Sim, Jó. Ele morreu para que tu tivesses a vida, para que teus pecados fossem esquecidos por Mim. Essa pessoa, Jó; que morreu em seu lugar; era meu Filho único. Em verdade vos digo, ele é o meu Filho, pois Eu o ressuscitei dos mortos, visto que culpa alguma Ele tinha. Por Sua graça foste salvo.

Jó, então adormeceu.   

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