Emily Dickinson -
Carta J498
Dear friend.
I cannot let the Grass
come without remembering you, and half resent my rapid Feet, when they are not
your's - The power to fly is sweet, though one defer the flying, as Liberty is
Joy, though never used.
I give you half my
Birds - upon the sweet condition that you will bring them back - yourself, and
dwell a Day with me, and Bliss without a price, I earned myself of Nature -
Of whose electric
Adjunct
Not anything is known
-
Though it's unique
Momentum
Inebriate our own.
Forgive me if I come
too much - the time to live is frugal - and good as is a better earth, it will
not quite be this.
How could I find the
way to you and Mr Higginson without a Vane, or any Road?
They might not need me - yet they might -
I'll let my Heart be just in sight -
A smile so small as mine might be
Precisely their
necessity -
Carta de Emily Dickinson
endereçada à Senhora Mary Channing Higginson em 1877. Na ocasião a Senhora
Higginson encontrava-se seriamente doente e viria a falecer alguns meses
depois.
Este texto é um exemplo de como
não escrever uma carta, de como não escrever uma prosa. Principalmente para uma
pessoa adoentada e preste a morrer. O assunto é descabido e revela uma
esquizofrenia patente. O destinatário e a própria carta são apenas pretextos
para uma construção literária! Ao moribundo o que interessa uma escrita
livresca, ambígua, lacunar e metafórica? Imagino a expressão indagativa da
Senhora Higginson ao ler a carta! Verão que há escassez de preposições,
conjunções e pronomes no texto. Ora, como uma prosa pode existir na ausência de
conectivos? Barbaridade!
Vamos à tradução.
Cara amiga.
Não posso deixar sobrevir a relva
sem me lembrar de você, e quase ressentir meus pés ligeiros quando não são os
seus - O poder de voar é doce, entretanto procrastina-se o voo, assim como
Liberdade é Contentamento, entretanto nunca usada.
Eu te dou metade dos meus Pássaros
- sobre a doce condição de que você os trará de volta - você mesma, e habitará
um Dia comigo, e Alegria sem preço, eu mesma ganhei da Natureza -
Deste Acessório elétrico
Nada se conhece -
Embora seu único Momentum
Inebria nosso próprio.
Perdoe-me se eu venho com muita
freqüência - o tempo de viver é frugal - e boa como é uma terra melhor, não
será exatamente esta.
Como podia encontrar o caminho
até você e o Senhor Higginson sem uma Grimpa, ou uma Rota (estrada, caminho)?
Podem não precisar de mim - por
ora talvez não precisem -
Deixarei meu Coração bem à vista
-
Um sorriso tão pequeno quanto o
meu pode ser
Precisamente sua necessidade (a
necessidade deles) -
Uma pieguice de menina colegial.
Fala sentimental afetada. Emoção exagerada e descabida, fora de proporção.
Metáforas esdrúxulas com uma sintaxe que não se livrou da forma poética. Será
que a autora não teve aula de produção de texto?
Comentemos as estranhezas do
texto.
“I cannot let the Grass come
without remembering you, and half resent my rapid Feet, when they are not
your's -”
Metáfora infantil e piegas.
Extremo descabimento ao utilizar a palavra “half”
no lugar de “almost”.
“The
power to fly is sweet, though one defer the flying, as Liberty is Joy, though
never used.”
Bela forma poética que traduz
concepções existenciais relevantes. Porém, a frase se atrapalha ao usar repetitivamente
a conjunção “though” e a conjunção “as” ligando duas sentenças que já contêm
cada uma delas, conjunção adversativa. Como disse antes, uma prosa que não se
livrou da forma poética. O que temos então? Uma construção capenga e de mau
gosto. Há um erro gramatical na conjugação do verbo “to defer”: “one defer the
flying”; o sujeito é um pronome no singular, a saber, “one”; logo, o verbo deveria ser conjugado na terceira pessoa do
singular, ou seja, “one defers the flying”.
A idéia de um plural semântico não é descartável, mas plural semântico retrata
pobreza intelectual: “people are”, “a
gente fomos” etc.. Não existe semântica sem sintaxe; o pensamento é sintaxe e
tudo que contraria isso não passa de emoção delirante. Por último, as duas
frases estão completamente desconectadas, dois pensamentos jogados no texto e
inapropriadamente ligados por um ridículo travessão. Um vocativo não teria
sentido e precisaria de uma vírgula.
“I give
you half my Birds - upon the sweet condition that you will bring them back -
yourself, and dwell a Day with me, and Bliss without a price, I earned myself
of Nature”
O final da frase é embolado e
faltam conectivos para a sintaxe funcionar, caso contrário fica parecendo
língua de índio como podemos notar na tradução feita. Na expressão “without a price” não cabe de forma
alguma o artigo indefinido “a”. Deveria ser: “without price”.
Of whose electric
Adjunct
Not anything is known
-
Though it's unique
Momentum
Inebriate our own.
Reparem no termo “of whose” e na denominação “electric Adjunct”. O primeiro
simplesmente não existe e foi substituído por “of this” como aparece em outras versões do poema. O segundo: quem
em sã consciência chamará um relâmpago de “acessório elétrico”? Além disso, o apelo ao mistério reflete
ignorância interiorana, visto que, o iluminista Benjamin Franklin já desvendara
as crendices medievais com relação ás descargas elétricas no século 18, cerca
de cem anos antes dessa carta. Outro erro gramatical de concordância verbal e
um viracento sem sentido: “it’s unique
momentum inebriate our own”. O sujeito “it’s
unique momemtum” está no singular e o verbo “to inebriate” está no plural. Deveria ser: “it’s unique momentum inebriates our own”. O pronome possessivo é
“its”, não há apóstrofo! Credo. O poema foi simplesmente enxertado no texto sem
a mínima conexão com os outros parágrafos. Total esquizofrenia! Mesmo se “it’s”
fosse “it is” a concordância estaria errada.
“Forgive
me if I come too much - the time to live is frugal - and good as is a better
earth, it will not quite be this.”
A primeira sentença é uma
tremenda cacofonia semântica. Não sei como uma moça pode escrever uma coisa dessas
para uma senhora moribunda. A terceira frase é simplesmente um amontoado de
palavras tentando dizer algo, as classes gramaticais não se ajustam e a sintaxe
se esvazia. Com isso o sentido fica louco. Quem escreve uma frase dessas
certamente tem problema de cabeça! Possivelmente faltam modos subjuntivos e
conexões apropriadas. Não estou disposto a descobri-las e fazer o trabalho do
autor que deveria saber produzir um texto e usar corretamente a gramática.
O poema final, no entanto, é
belíssimo e compensa todo o texto anterior. Deve ser lido separadamente da
carta, pois ninguém sabe quem são eles “They who?” cara pálida! Na verdade não
é uma carta, é um mosaico de poemas e pedaços de poemas completamente
desarticulados.
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