quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Escola Sem Partido


Escola Sem Partido

Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto ao que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? Se é Deus quem os justifica. Quem os condenará? Se é Cristo Jesus, à direita de Deus, quem intercede por nós.

Rom8.26-34

Em 2004 começaram uma discussão que foi chamada de Escola Sem Partido. Bem, este assunto já era conhecido em Magdalen College School na cidade de Oxford provavelmente desde a sua fundação no século XV. A alegação é muito simples, qual seja, toda escola só pode ensinar a verdade. Só isso! Sandrine Piau, professora de história da Escola Magdalen sabe muito bem disso e suas aulas são realmente impecáveis; seguem estritamente o conceito da Escola Sem Partido.

Sandrine nasceu na Inglaterra, mas sua mãe é francesa, uma famosa cantora lírica especialista em áreas e recitativos barrocos. Atualmente trabalha no Jacqueline du Pré Music Building. O pai, britânico, nascido em Oxford é um puritano. Calvinista fervoroso! Formado em geografia, trabalha no Instituto de Mudança Ambiental, (Environmental Change Institute). A família mora na Iflley Rd. número 19.

Magdalen é uma escola de ensino secundário que ostenta tanto sua qualidade quanto a qualidade de seus alunos. Quase todos vão direto para importantes e qualificadas universidades da Inglaterra. Sandrine, apesar de professora de história, não gosta muito dos termos Reino Unido e Grã-Bretanha. Tudo é Inglaterra, assim como Alemanha e Germânia, Canal da Mancha ou Canal Inglês. São detalhes como muitos outros. Morada do diabo, foram criados por Elohim como torpe tarefa dada aos filhos dos homens para atarefá-los. Entre os detalhes se procuram causas para efeitos e se vangloriam, perdem a fé e assim, se desviam da verdade. Sandrine dizia: a um pedaço de terra chamado Inglaterra, juntam-se algumas montanhas do norte e outras do oeste. Esse pedaço de terra passa agora a se chamar Grã-Bretanha. Acrescenta-se ainda uma minúscula porção de terra que está ao oeste, tão pequena e mesmo assim consegue se dividir em duas. A Grã-Bretanha mais a parte menor dessa minúscula e insignificante região passa a se chamar Reino Unido. Ela se pergunta: pode isso? E a Bretanha mesmo fica na França! Mais detalhes: eles não são bretões, são anglo-saxões da Germânia e da Dinamarca. Entorpece qualquer estudo!

Estamos às vésperas dos exames finais e como de costume, Sandrine faz revisões sucintas sobre história da Inglaterra. Este ano ela discorrerá sobre a esquadra invencível, a revolução puritana e a revolução gloriosa.

Sempre com tom irônico, como todos os ingleses, Sandrine chamava a frota de guerra ibérica de esquadra invencível. Os espanhóis queriam o domínio comercial na região dos países baixos, para isso teriam que eliminar ou neutralizar a atuação da Inglaterra e seus hábeis e fieis corsários. Porém, vencer a Inglaterra era algo impossível. O Senhor dos Exércitos estava com a Rainha Isabel que estabelecera uma igreja protestante na Inglaterra. Além disso, os jejuns e orações dos puritanos para a proteção da pátria a tornava inexpugnável. Por isso não seria a esquadra de Felipe II capaz de invadir a ilha. O próprio mar se encarregou de destruir mais da metade da esquadra espanhola e o canal da mancha em seu estreito impediu qualquer desembarque em terras britânicas. Para baterem em retirada, os navios foram obrigados a voltear as ilhas e descer pelo atlântico norte, pois os navios ingleses bloquearam a retaguarda da invencível esquadra. Derrotado, Felipe II se viu frustrado em sua tentativa de agredir o protestantismo inglês. A Rainha Isabel, o último Tudor, se tornou um ícone da realeza. Derrotou bravamente os idólatras colocando-os no obscurantismo. Assim, a tripudiante vitória estabeleceu de vez a identidade protestante e a rejeição global ao mundo católico. Deus mostrou que tudo contribui para o bem de seus escolhidos. Até as ações dos corsários liderados por Sir Francis Drake foram importantes para o desarranjo desastroso da esquadra ibérica. O vento marítimo e a geografia do canal foram generais do Senhor dos Exércitos. Os puritanos se estabeleceram, mas a reforma ainda não estava completa, o anglicanismo muito próximo ao catolicismo e a igreja episcopal deveria se tornar presbiteriana para ficar de acordo com a igreja primeira descrita por Lucas no livro de Atos.

Finda a dinastia Tudor com a magnífica Rainha Isabel, entra em cena o inimigo que está sempre à espreita e não desiste, mesmo sabendo que já está derrotado. A dinastia Stuart instala o absolutismo, desconsideram o parlamento e se volta para o catolicismo idólatra. O Rei Carlos persegue os puritanos e dissolve o parlamento. Tudo isso dura muito pouco. O militar puritano Oliver Cromwell forma um exército inédito cujo posto de cada soldado se baseia em sua capacidade e não em sua linhagem. (New Model Army). Era o início da meritocracia, o meio mais eficaz de se fundamentar qualquer sociedade. Certamente o inimigo não aguenta o golpe e o Rei Carlos é degolado em praça pública. Cromwell faz questão de espremer a cabeça até a última gota de sangue para mostrar que não há nada de divino em um rei, seu sangue é vermelho como qualquer outro. (Curioso que a França se gaba de ter feito a mesma coisa com Luis XVI. Gaba-se de ineditismo! Uma revolução ridícula e risível que depois de tanto horror coloca um Imperador no trono, contrariando tudo que combateu). Uma grande vitória dos puritanos que retomam o regime republicano e o poder do parlamento.

O inimigo em seu último suspiro faz mais uma tentativa. Aproveitando-se de uma distração de Cromwell que deveria estar vigilante, dissolve o parlamento novamente. Não contava com a capacidade dos eleitos: se Deus é por nós quem poderá ser contra e nos deter? Habilmente, os puritanos tecem um acordo de moderação e fundam um reinado parlamentar. Nada mais astucioso e sagaz: temos ao mesmo tempo um reinado e um parlamento! Sem nenhuma gota de sangue derramada; eis a Revolução Gloriosa!

Como tudo concorre para o bem dos escolhidos, Cromwell deixa um valioso legado: Os Atos de Navegação. Esta medida cria a exclusividade do comércio marítimo nos portos da Inglaterra aos navios de bandeira inglesa. Só os ingleses podiam comprar e levar mercadorias para a Inglaterra. A base para o desenvolvimento do imperialismo marítimo da Inglaterra está estabelecida.

Ao final da revisão, Sandrine comenta: no exame, provavelmente, haverá perguntas sobre detalhes inúteis, nomes e datas. Esta parte é muito fácil e grande porção dela é desnecessária, só serve para alimentar a vaidade de acadêmicos que buscam causas entre os meios utilizados por Deus para cumprir os seus propósitos. Torpe tarefa!
Desviando do assunto da aula, Sandrine resolveu acrescentar outros feitos do Senhor dos Exércitos. Os puritanos perseguidos por considerarem a reforma incompleta fugiram para a Nova Inglaterra ao nordeste do Novo Mundo, a grandiosa América de Américo Vespúcio que medindo as longitudes avisou que não se tratava da Índia. Nesta nova terra, já de antemão preparada para eles como uma nova Terra Prometida, prosperaram e se tornaram a mais rica nação do globo, prosperidade oriunda da bênção divina: os abençoados são prósperos, pois Deus tudo provê para aqueles que o amam, os seus filhos em Cristo Jesus. A resignação não faz parte da vida do cristão, pois como filhos de Deus lhes cabe a prosperidade, vida plena e vida em abundância.

Napoleão, com seu ridículo bloqueio continental bloqueou o próprio continente e não a Inglaterra, pois isolou este da civilização. Precisava comprar armamentos para manter seus domínios. Vejam bem como Deus age: quem foi que socorreu Napoleão? O presidente dos Estados Unidos, da Nova Inglaterra. Simplesmente comprou da França todo o vale do Mississipi desde o extremo norte em Wisconsin até o extremo sul na Louisiana. Comprou nada menos que o Middle West americano por um milhão de dólares. Este ato ficou conhecido como The Louisiana Purchase. Deste ponto em diante o limite era o Pacífico. E assim se formou um novo povo de Deus, do Atlântico ao Pacífico testemunhamos a glória de Deus. E o que aconteceu com Napoleão? Esmagado, humilhado e tripudiado em Waterloo assim como foi a esquadra invencível dos idólatras.

Na próxima aula, Sandrine comentará a Quarta Querra Árabe-Israelense: Guerra do Yom Kippur, guerra de outubro, o Ramadã. Antes de sair da sala disse aos alunos: vocês conhecerão, neste novo episódio, como Deus age em prol de seu povo, não só no passado como no presente; e continuará sempre, pois Ele é fiel e sempre será.

Nenhum comentário:

Postar um comentário