Emily Dickinson - Poema F1079 (J897)
How fortunate the Grave -
All Prizes to obtain,
Successful certain, if at last,
First Suitor not in vain.
Esta é a disposição do poema
apresentada pelos editores. A versão original manuscrita por Emily Dickinson se
dispõe assim:
How fortunate the Grave -
All Prizes to obtain,
Successful certain, if at
last,
First Suitor not in vain.
Há uma quebra de linha com a
formação de um verso a mais. Essa inconformidade se deve ao fato de que Emily
Dickinson despencava suas poesias em qualquer papel de pão, envelope, margem,
sobra em branco, resto de anotação, etc.. Assim, nunca se sabe quando uma
quebra de linha é intencional ou ocasionada pelos empecilhos dos primários suportes
da tinta oriunda de sua pena.
O poema tem apenas um verbo
empregado no infinitivo! Maravilhas de ED: concisão. Em um primeiro olhar somos
tentados a apreender a conjunção “if” como condicional, mas logo vemos que isso não se ajusta ao
texto. Percebemos que se trata de uma conjunção causal.
A disposição original dos versos,
mesmo que seja acidental - o que na verdade não importa muito ou mesmo nada -
me parece mais atrativa, pois suscita uma situação homoclínica: o alfa e o
ômega, o princípio e o fim, o último e o primeiro, em uma perpétua órbita sem
começo e sem fim. (last, first, last, first, ...)
Quão afortunado o túmulo -
Todos os prêmios a receber,
Exitoso certo, se
afinal,
Primeiro pretendente jamais em
vão.
Imprescindível destacar a ironia
do poema, nem parece ED! Pois é! Ela também sabe ser irônica!
Cabe uma observação gramatical. A
palavra “certain” que é um adjetivo,
ou pronome indefinido, funciona como advérbio. Não é incomum encontrar em ED
sua própria gramática. Certamente ela se utilizou da palavra “certain” para conjugar com “obtain” e “vain”. A gramática se acomoda à estética de maneira muito
pertinente. O poema flui maravilhosamente.
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