segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Emily Dickinson - Poema F500 (J685)


Emily Dickinson - Poema F500 (J685)

Havia dois manuscritos deste poema, um se perdeu. ED os escreveu em 1863. As linhas, apenas duas, apareceram como verso em uma carta a T. W. Higginson. A mesma carta em que está o Poema F499. Falamos sobre esta carta na tradução do Poema F499 e um fato curioso é que ED assina a carta com o nome: “Your Gnome -”. O próprio Higginson nunca soube explicar a razão pela qual ED usou esta assinatura.

Na carta há uma frase que precede o poema e eu acho que ela deve acompanhar os dois versos. A frase é a seguinte:

I was thinking, today - as I noticed, that the “Supernatural”, was only the Natural, disclosed -

(Eu estava pensando, hoje - quando eu percebi, que o “Supernatural”, era somente o Natural, manifestado -). De outra forma: O natural manifestado, revelado, exposto, era o que achávamos ser o sobrenatural. Este é o sentido da frase, mas não é o estilo de ED escrever.

Not “Revelation” - ‘tis - that waits,
But our unfurnished eyes -

Não a “Revelação” - é - que espera,
Mas nossos desguarnecidos olhos -

Outra maneira:

Não é a “Revelação” que espera,
Mas, nossos desguarnecidos olhos.

Reparem que a segunda tradução, afasta-se do original com a retirada da grande pausa feita para pronunciar o verbo. Acho que a primeira tradução está mais perto do estilo poético de ED.

No manuscrito o poema aparece assim:

Not “Revelation” - ‘tis -
that waits,
(quebra de página)
But our unfurnished
eyes -

A cunhada de ED, Susan Dickinson, casada com seu irmão mais velho, transcreveu o texto do manuscrito perdido em forma de prosa:

Not Revelation t’is that
waits, but our unfurnished
Eyes -

Reparem que há uma retificação feita pela cunhada: no lugar de “’tis” a cunhada colocou “t’is”. Algo descabido, pois a contração de “it is” é “’tis” e não “t’is”. Quem se confundiu foi a cunhada e ainda sumiu com o manuscrito! O uso “’tis” é comum em poemas, vários poetas utilizam esta forma de contração por causa da métrica. Aí me vem a cunhada e atrapalha o verso, e ainda pior, coloca uma forma de contração que não existe. Ela deve ter se distraído na hora de corrigir, só pode! Com certeza a irmã queria escrever “it’s” que é a forma usual da contração de “it is”. (Erro de digitação.)

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