domingo, 29 de março de 2020

Emily Dickinson - Poema F951 (J809)


Emily Dickinson - Poema F951 (J809)

Há dois manuscritos deste poema. Um deles contém uma parte do poema (uma estrofe) o outro contém o poema inteiro com duas estrofes. Importa ressaltar que o primeiro não é uma parte em que falta a outra estrofe. O primeiro manuscrito a lápis está endereçado a Sue, encabeçado “Dear Sue” e assinado “Emily”. Consiste em um inteiro poema de uma estrofe apenas. Depois, ED escreveu uma segunda estrofe e colocou o manuscrito (este é o segundo manuscrito) agrupado em sua organização final (grupo 7 ou Set 7). Veremos o fac-símile no fim da tradução. Escrito em 1865, enviado a Susan Dickinson na ocasião da morte de sua irmã Harriet Cutler em oito de março de 1865. Ressalto que só a primeira estrofe foi enviada a Sue. A primeira estrofe publicada em 1915, a segunda estrofe em 1945 e o poema com as duas estrofes em 1947.

Na publicação de 1915, no Atlantic Monthly, o editor cometeu um erro crasso. No lugar da palavra “Loved” da primeira linha ele escreveu “dead”. E assim foi publicado o poema no referido periódico em 1915.

Primeiro manuscrito

Unable are the Loved - to die -
For Love is Immortality -
Nay - it is Deity -

Morrer - são Incapazes quem Amamos
Pois Amor é Imortalidade -
Mais ainda - é Deidade -

Outras formas:

Incapazes são quem Amamos - morrer -
Pois Amor é Imortalidade -
Mais ainda - é Deidade -

Incapazes de morrer são aqueles que amamos.
Pois Amor é Imortalidade -
Mais ainda - é Deidade -

Incapazes de morrer - aqueles que Amamos -
Pois Amor é Imortalidade -
Mais ainda - é Deidade -

Incapazes de morrer - quem Amamos -
Pois Amor é Imortalidade -
Mais ainda - é Deidade -

Segundo manuscrito

Unable are the Loved to die
For Love is Immortality,
Nay, it is Deity -

Unable they that love - to die
For Love reforms Vitality
Into Divinity.

Incapazes de morrer são aqueles que Amamos
Pois Amor é Imortalidade,
Mais ainda, é Deidade -

Incapazes aqueles que amam - morrer
Pois o Amor transforma Vitalidade
Em Divindade.

Acho que temos uma tradução razoável. Carece comentar que ED utiliza o verbo “reform” de maneira equivocada. Primeiro: “reform” nunca é um verbo bitransitivo, logo, ela muda a regência do verbo. Segundo: “reform” não tem o sentido de transformar uma coisa em outra. Tem o sentido de reformar, se tornar melhor, melhorar, sair de um estado pior para outro melhor, mas sempre transitivo direto. Em alguns casos pode também significar formar de novo, por exemplo, depois da chuva formou novamente nuvem branca sob o sol.

Parece-me um bom poema na tentativa de consolar sua cunhada e grande amiga Susan pela morte da irmã.

No original (primeiro manuscrito), o poema possui uma quebra de linha:

Unable are the
Loved - to die -
For Love is Immortality -
Nay - it is Deity -

No segundo manuscrito cujo fac-símile encontra-se abaixo o poema tem a seguinte disposição: (o número que está à direita do poema é a classificação de Johnson) (J809)

Unable are the Loved
to die
For Love is Immortality,
Nay, it is Deity -

Unable they that love -
to die
For Love reforms Vitality
Into Divinity.

Agora sim, temos verdadeiramente um belo poema! Simétrico, ritmo agradável e reiterações melódicas prazerosas.


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