Emily
Dickinson - Poema F951 (J809)
Há
dois manuscritos deste poema. Um deles contém uma parte do poema (uma estrofe) o
outro contém o poema inteiro com duas estrofes. Importa ressaltar que o
primeiro não é uma parte em que falta a outra estrofe. O primeiro manuscrito a
lápis está endereçado a Sue, encabeçado “Dear
Sue” e assinado “Emily”. Consiste em um inteiro poema de uma estrofe apenas.
Depois, ED escreveu uma segunda estrofe e colocou o manuscrito (este é o
segundo manuscrito) agrupado em sua organização final (grupo 7 ou Set 7). Veremos
o fac-símile no fim da tradução. Escrito em 1865, enviado a Susan Dickinson na
ocasião da morte de sua irmã Harriet Cutler em oito de março de 1865. Ressalto
que só a primeira estrofe foi enviada a Sue. A primeira estrofe publicada em
1915, a segunda estrofe em 1945 e o poema com as duas estrofes em 1947.
Na
publicação de 1915, no Atlantic Monthly,
o editor cometeu um erro crasso. No lugar da palavra “Loved” da primeira linha ele escreveu “dead”. E assim foi publicado o poema no referido periódico em 1915.
Primeiro
manuscrito
Unable are the Loved -
to die -
For Love is Immortality
-
Nay - it is Deity -
Morrer
- são Incapazes quem Amamos
Pois
Amor é Imortalidade -
Mais
ainda - é Deidade -
Outras
formas:
Incapazes
são quem Amamos - morrer -
Pois
Amor é Imortalidade -
Mais
ainda - é Deidade -
Incapazes
de morrer são aqueles que amamos.
Pois
Amor é Imortalidade -
Mais
ainda - é Deidade -
Incapazes
de morrer - aqueles que Amamos -
Pois
Amor é Imortalidade -
Mais
ainda - é Deidade -
Incapazes
de morrer - quem Amamos -
Pois
Amor é Imortalidade -
Mais
ainda - é Deidade -
Segundo manuscrito
Unable are the Loved to
die
For Love is Immortality,
Nay, it is Deity -
Unable they that love -
to die
For Love reforms
Vitality
Into Divinity.
Incapazes
de morrer são aqueles que Amamos
Pois
Amor é Imortalidade,
Mais
ainda, é Deidade -
Incapazes
aqueles que amam - morrer
Pois
o Amor transforma Vitalidade
Em
Divindade.
Acho
que temos uma tradução razoável. Carece comentar que ED utiliza o verbo “reform” de maneira equivocada. Primeiro:
“reform” nunca é um verbo
bitransitivo, logo, ela muda a regência do verbo. Segundo: “reform” não tem o sentido de transformar
uma coisa em outra. Tem o sentido de reformar, se tornar melhor, melhorar, sair
de um estado pior para outro melhor, mas sempre transitivo direto. Em alguns
casos pode também significar formar de novo, por exemplo, depois da chuva
formou novamente nuvem branca sob o sol.
Parece-me
um bom poema na tentativa de consolar sua cunhada e grande amiga Susan pela
morte da irmã.
No
original (primeiro manuscrito), o poema possui uma quebra de linha:
Unable are the
Loved - to die -
For Love is Immortality
-
Nay - it is Deity -
No
segundo manuscrito cujo fac-símile encontra-se abaixo o poema tem a seguinte
disposição: (o número que está à direita do poema é a classificação de Johnson) (J809)
Unable are the Loved
to die
For Love is Immortality,
Nay, it is Deity -
Unable they that love -
to die
For Love reforms
Vitality
Into Divinity.
Agora
sim, temos verdadeiramente um belo poema! Simétrico, ritmo agradável e reiterações
melódicas prazerosas.

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