quarta-feira, 29 de abril de 2020

A Moça do Vestido Rosa


A Moça do Vestido Rosa

Therefore shall a man leaue his father and his mother,
and shall cleaue vnto his wife: and they shalbe one flesh.

Gênesis2.24

Da janela do quinto andar Irene olha as avenidas movimentadas, veículos a ir ou a vir. O metrô suspenso passa de tempo em tempo, barulhento, ruidoso, estremecia o quarto. Irene morava aí, neste cubículo do quinto andar. Morava sozinha. Viúva já de idade avançada não tinha mais as visitas dos filhos. A parca pensão que recebia era suficiente: se alimentava bem, vestia-se com alinho, caminhava todos os dias, cozinhava e olhava pela janela de onde vinham suas recordações.

Aprendi a tocar bandolim com minha avó, ela havia estudado com Jacob do Bandolim, mas isso não fazia sentido nem era importante para mim naquela época, pensava Irene se debruçando para ver os carros distantes. Seu pensamento continuava insistente: aprendi também a bordar, com bastidor e controle de pedal na máquina bordadeira; riscos sobre tecido esticado, riscos de fios de tecidos. Um ziguezague que lentamente adensa-se preenche uma região, um pedaço de pano que se transforma; cores se abotoam entre emaranhados, labirintos, hachuras. Ariadne, salva Teseu, senhora dos labirintos.

Irene com olhar fixo e pensativo apenas recorda-se de fatos de sua infância. Aprendi a cobrir botões, contar histórias. Escutava durante horas as cartas que eram lidas, inúmeras cartas de amor, promessas, paixões, juras. Lidas quase que diariamente, memorizadas, em voz alta, recitadas. Cartas do marido que a deixou. Ela ainda jovem com dezessete anos e um filho no ventre. Este menino que iria nascer era o meu pai. Eu contemplava a cena, apreciava, uma perplexidade rompia a inocência!

Aprendi a colocar cartas, tarô, astrologia, o grande orbe celestial, zodíaco, horóscopo: escorpião, leão. Aprendi a ler palmas, mãos abertas e suas linhas marcavam destinos, fortuna traçada, imperatrix mundi. De onde vem este cigano, meu Deus? Não se sabe!

Irene na janela continuava pensativa. Havia um mundo de lembranças dentro dela e era aí, parece; que ela vivia em segredo.

A agitação era tanta que eu pedia uma benzedura: vó, me benze? Palavras balbuciadas seguidas de gestos persignatórios em minha face. Suas digitais tocavam minha testa e meus lábios. A serenidade aos poucos tomava posse. Permanecia então em um estado de repouso, uma inércia vitoriosa, resistia a qualquer mudança. Instantes de paz, serenidade e calma, produzidos por gestos mágicos e palavras murmurantes, indecifráveis. Sons que apaziguavam!

Aprendi com ela a arte da recitação, versos... Cantar melodias, cantigas de roda e a representar, a arte do teatro! Diálogos entre personagens, teatro! Uma cantiga de uma história! Será que ainda me lembro? Pensou Irene.

Andai, andai meu gadinho
Não se esqueçais do andar
Não faças como o Joãozinho
Esqueceu de Mariá Griná.

A inversão de pessoas do verbo é a licença poética para ajustar letra e ritmo; a gramática se sujeitava à beleza e não o inverso. A famosa licença poética já desgastada frase pelo uso.

Setenta anos depois Irene escutou suas últimas palavras, reminiscência de um passado longínquo, remoto, faculdade da memória; memória, faculdade de preservar o passado, apresentar o ontem: “o olhar do meu marido, quando ele me viu pela primeira vez, eu usava um belo vestido rosa, cortado em viés, godê elegante! Um cinto largo e espesso na cintura com uma grande rosa feita de tecido presa ao cinto um pouco à direita me enfeitava. Aquele olhar não deixava dúvida do seu desejo. No outro dia foi conversar com meu pai”.

Irene vai todos os dias à janela, aprecia a paisagem, o movimento, o barulho e também se conforta com as lembranças de sua avó.  

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Emily Dickinson - Poema F663 (J543) (FH221)


Emily Dickinson - Poema F663 (J543) (FH221)

Poema escrito a mão em 1863. Encontra-se no fascículo de número trinta que mostraremos depois. Publicado em 1929.

I fear a Man of frugal speech -
I fear a Silent Man -
Haranguer - I can overtake -
Or Babbler - entertain -

But He who weigheth - While the Rest -
Expend their furthest pound -
Of this Man - I am wary -
I fear that He is Grand -

No manuscrito ED propõe duas palavras alternativas, quais sejam; “scanty” no lugar de “frugal” e “inmost - ” no lugar de “furthest”. Veremos isso no fac-símile do fascículo de número trinta.

Vejamos a tradução:

Eu temo um Homem de poucas palavras -
Eu temo um Homem Silencioso -
Arengador - posso dar conta -
Ou palrador - entreter -

Mas Aquele que pondera - Enquanto os Outros -
Gastam seus últimos centavos -
Deste Homem - Tenho cautela -
Eu temo que Ele seja formidável -

Nas primeiras publicações de 1929 a palavra “weigheth” foi trocada por “waiteth” que significa “espera” do verbo esperar. Note que são formas arcaicas e elas estão na terceira pessoa do singular, modo indicativo presente. Estas primeiras publicações também utilizaram as duas palavras alternativas proposta por ED no fascículo e a segunda estrofe com cinco linhas: quebra de linha na palavra “weigheth - ”.

A palavra “Rest” é plural semântico, significa o que sobrou, o que restou de certa quantidade de coisas ou pessoas, os outros que não fazem parte de determinado conjunto, os restantes. Eu particularmente não concordo. Deveria haver o plural “The Rests”.

A última linha claramente pede o verbo no subjuntivo, o que a autora não percebe e conjuga o verbo no indicativo. Deveria ser: “I fear that He be Grand”. Na língua inglesa há sempre isso: o modo subjuntivo não é muito visível e sua conjugação é praticamente o infinitivo ou o indicativo sem as terminações do singular. O mesmo se dá com o imperativo. Digo: esses modos verbais são nebulosos na língua inglesa.

Vejam o manuscrito abaixo com as duas alterações propostas. Reparem nos dois sinais, cruzinhas (+), marcando as duas palavras e no final a forma alternativa proposta pela autora para cada uma das duas palavras. O número da esquerda é a numeração de Johnson (J543). A escrita muda de uma página para outra no meio da segunda estrofe.




I fear a Man of scanty speech -
I fear a Silent Man -
Haranguer - I can overtake -
Or Babbler - entertain -

But He who waiteth -
While the Rest -
Expend their inmost pound -
Of this Man - I am wary -
I fear that He is Grand -

Acima, o poema na forma alternativa.

sábado, 11 de abril de 2020

Insuperável Comunicabilidade (1)


Insuperável Comunicabilidade (1)

Portanto, assim diz o Senhor Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que Eu trarei sobre Judá, e sobre todos os habitantes de Jerusalém, todo o mal que Eu pronunciei contra eles, porque Eu lhes falei, mas eles não ouviram, Eu os chamei, porém eles não responderam.

Jeremias35.17

Hora do início da aula. O professor José Machado entra em sala de aula. Classe do curso de odontologia da Universidade de Alfenas. O murmurinho de sempre! O professor Machado vai para diante do quadro negro e repetidas vezes pede silêncio dizendo: hora de começar, façam silêncio e assentem-se. Após alguns minutos faz-se quietude na sala. Machado tira o livro texto da pasta, abre na página 92 e dirige-se para a turma: hoje vamos fazer a leitura de uma situação odontológica elucidativa que está descrita no Capítulo 5 de nosso livro. O professor passa os olhos na página, pensa um pouco e pede aos alunos que abram o livro na página 92. Escutam-se barulhos de folhas e livros batendo na madeira das carteiras. José Machado pede silêncio e começa a ler em voz alta o conteúdo da página. Em menos de dois minutos ouve-se a pergunta de um aluno: qual página, professor? Ele responde: página 92. Começa novamente a leitura. Os alunos seguem o texto acompanhando a leitura do professor. Outro aluno distraído interrompe a leitura e pergunta: qual a página, professor? José pacientemente diz: página 92. Devido à interrupção provocada pelo aluno distraído e sua intrepidez em perguntar, José é obrigado a recomeçar a leitura desde o início.

A leitura já transcorria dentro de um clima de concentração da classe quando um terceiro aluno, folheando ruidosamente o livro sobre a carteira como se estivesse procurando a página, indaga com a voz elevada: qual é mesmo a página? José interrompe a aula e começa a andar pela sala passando de fila em fila como se passasse em revista um pelotão. Foi até ao aluno que folheava o livro e falou: um pouco mais para frente, você está no Capítulo 4, a página 92 fica no Capítulo 5. Viu? Aqui está! Mostrou o professor. O aluno sem demostrar o menor constrangimento agradece: obrigado pela ajuda!

José Machado continua sua revista e caminha para a parte de trás da sala. Percebe então, que um aluno se encontra sentado e com o livro fechado em cima da carteira. Machado pergunta: você não vai abrir o livro e acompanhar a leitura que estamos fazendo? Este responde apressado com olhar fingindo espanto: vou sim professor, mas me diz qual é a página, estou sem saber. José calmamente fala: página 92. O aluno continua: de qual capítulo professor? Nesta hora toda a turma começa a rir e uma voz vinda da sala diz: só pode ser do Capítulo 5 sua anta! José pede silêncio e respeito aos colegas em sala de aula. Finalmente ele abre o livro na página certa e passa a olhar fixamente o conteúdo que lhe fugia. Não tinha a menor ideia do que poderia estar no livro e do que se passava dentro daquela sala de aula. Limitado ao mero conhecimento empírico estava certamente no lugar errado. Sua presença ali já é um deboche à docência.

O professor continuou sua caminhada até o final da sala, na última fileira. Parou. Outro aluno, mas agora sentado sem livro algum em cima da carteira. José perguntou: você não vai participar da aula? O aluno respondeu: vou sim professor, claro, claro, vou sim. Então abra o livro, replicou José Machado. O aluno, um rapagão forte, cabelo louro oxigenado, cortado rente, olhou para José com meiguice preguiçosa e soltou a pergunta: qual livro professor?

Essa rotina permanecia por anos e anos, toda aula era a mesma coisa, por mais divulgado que seja o aviso sempre há quem não ouve. Por mais que se decrete uma regra há sempre quem não cumpre. Na comunicação há um limite sempre aquém da abrangência total, pois não existe o que se fala, mas somente o que se ouve.



sexta-feira, 10 de abril de 2020

Emily Dickinson - Poema F540 (J407) (FH157)


Emily Dickinson - Poema F540 (J407) (FH157)

Escrito em 1863 uma cópia foi enviada a Susan Dickinson assinada “Emily”. Esta cópia passou pelas mãos de várias pessoas e foi publicada em 1914. Outra cópia foi escrita no fascículo 28 que mostraremos no final. Veremos a cópia que está no fascículo. Há outra versão publicada na qual não há quebra de linha entre a primeira e a segunda, ou seja, as duas formam uma só linha.

If What we could - were
what we would -
Criterion - be small -
It is the Ultimate of Talk -
The Impotence to Tell -

Se o que pudéssemos - fosse
o que gostaríamos -
Critério - seja leve -
O que há de mais sublime em um discurso -
A Impotência de dizer -

Outras publicações têm as seguintes formas:

If What we could - were what we would -
Criterion - be small -
It is the Ultimate of Talk -
The Impotence to Tell -

If What we could
Were what we would;
Criterion be small -
It is the Ultimate - of Talk -
The Impotence to Tell.

Se o que pudéssemos - fosse o que gostaríamos -
Critério - seja leve -
O que há de mais sublime em um discurso -
A Impotência de dizer -



domingo, 5 de abril de 2020

Emily Dickinson - Poema F954 (J849)


Emily Dickinson - Poema F954 (J849)

Poema manuscrito em 1865, localizado no agrupamento ou conjunto de número 7 com uma quebra de linha. Publicado em 1945.

The good Will of a Flower
The Man who would possess
Must first present Certificate
Of minted Holiness.

No manuscrito temos seis linhas, pois há um quebra:

The good Will of a Flower
The Man who would possess
Must first present
Certificate
Of minted Holiness.

Duas observações pertinentes. 1) A escrita separada de “goodwill” enfatiza o substantivo “Will” com letra maiúscula e o adjetivo “good”, separado, que o qualifica. 2) O verbo “To possess” está no futuro do pretérito, algo singular e significativo poeticamente.

Vejamos a tradução:

A boa Vontade de uma Flor
Aquele que possuiria
Deve primeiro apresentar
Certificado
De irrefutável Santidade.

O recurso poético descrito na observação 2) é assaz primoroso e genial. Constatamos que não há pretérito exposto no poema, mas há um futuro do pretérito bem claro e estabelecido sintaticamente. Como lidar com essa discrepância? Essa discordância?

Deveria ser assim: “alguém, para possuir a boa vontade de uma flor, deve primeiramente apresentar um certificado de libação irrefutável” ou “só aqueles que apresentarem um certificado de cunhada santidade possuirão a boa vontade de uma flor”. Em suma, para haver um futuro do pretérito é necessário que exista um pretérito do qual ele é o futuro. Porém, no poema não há pretérito!

Este recurso utilizado tem uma força expressiva excepcional. O pretérito virou presente e deixou de existir, logo, não há alguém para possuir a boa vontade de uma flor. Ele possuiria se tivesse feito algo no passado, mas não há mais este passado para garantir a existência de seu futuro. Assim sendo, ninguém possui ou possuirá a boa vontade de uma flor.

O poema é, portanto, equivalente à seguinte sentença:

No one possesses the good Will of a Flower”.

Temos abaixo o fac-símile do original manuscrito no agrupamento de número 7.



quinta-feira, 2 de abril de 2020

Emily Dickinson - Poema F952 (J847)


Emily Dickinson - Poema F952 (J847)

Poema escrito em 1865 no agrupamento de número sete e publicado em 1896 com um título: "Venture". No final mostraremos o fac-símile do original.

Finite - to fail, but infinite - to Venture -
For the one ship that struts the shore
Many’s the gallant - overwhelmed Creature
Nodding in Navies Nevermore -

Finito - para extinguir-se, mas infinito - para aventurar-se -
Todo navio que atravessa a costa
Imponente durante longo tempo - Criatura vencida
Assentimentos Navais, Nunca mais -

Não se sabe em que circunstância este poema foi escrito. Há muita elipse gramatical, poucos conectivos e expressões pouco utilizadas. Vou explicar, ou melhor, tentar explicar alguns termos do poema para que cada um possa também elaborar uma tradução.

A primeira linha diz que os grandes e pomposos navios de guerra, navios das forças armadas, dos fuzileiros navais, estes se acham infinitos para se aventurarem em lutas, se arriscarem; infinitos em coragem. Porém são finitos em suas falhas e derrotas, quer dizer, não pensam que as derrotas existem, fracassos existem - desprezam ou desconsideram estes acontecimentos. As palavras “finito” e “infinito” traduzem este sentimento de forma muito poética.

Na segunda linha a autora mostra para o leitor os navios que se aproam nas costas, nos portos e navegam pelas margens do mar. Note o sentido do verbo “To struts”. No contexto do poema significa “emproar-se” ou “aproar”. Também significa “tornar-se emproado”. A autora está utilizando este verbo (ao mesmo tempo) como termo de marinha e sua extensão de sentido. Eu achei melhor colocar o verbo “atravessar” que a meu ver tem os dois sentidos que a autora quer. A expressão “for the one ship” significa “para cada navio”, “para todo navio”, “para cada um navio”, “para um único navio” ou simplesmente “todo”.

Na terceira linha há uma expressão incomum, qual seja, “Many’s the” usada para designar uma coisa que acontece muitas vezes ou por um longo período de tempo.

Na quarta linha “nodding” que vem do verbo “to nod” significa menear a cabeça para cima e para baixo em um gesto de consentimento. Repare que é um gerúndio, isto é, o verbo é transformado em um substantivo: “na marinha nunca mais vou assentir”. “nunca mais vou menear a cabeça, consentir”. O verbo não está no particípio presente: “assentimentos navais” ou “assentir nas marinhas”; se transformaram em substantivos.

Veremos agora o fac-símile do original, manuscrito por ED e guardado por ela no agrupamento de número sete. (Set 7).

Finite - to fail, but
infinite - to Venture -
For the one ship that
struts the shore
Many’s the gallant -
overwhelmed Creature
Nodding in Navies
Nevermore - 


Em seus últimos anos de vida ED se enclausurou em seu quarto. Vestia-se só de branco. Neste tempo ela organizou seus escritos. Transcreveu quase todos para cadernos ou blocos costurados por ela. Organizou os poemas em “Sets” e em “Fascicles”, ou seja, em grupos e em fascículos. Transcrever não seria o correto nome: ela escreveu de novo todos os poemas e fez várias alterações, por isso há tanta discrepância. A versão final está nos grupos ou nos fascículos, mas existe uma versão anterior e nem todas foram perdidas. Logo, os editores costumam colocar as duas versões quando ambas estão disponíveis. As palavras agrupamento e fascículos se firmaram na nomenclatura e foram catalogadas com esses nomes e seus respectivos números de ordem organizacional. ED foi uma mulher muito peculiar. Vale a pena tentar desvendar os mistérios desta personalidade tão singular. Há várias biografias no mercado literário.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Emily Dickinson - Poema F949 (J834) (FH343)

Emily Dickinson - Poema F949 (J834) (FH343)

Poema escrito em 1865. Há duas cópias manuscritas, uma a lápis, assinada “Emily” e enviada a Samuel Bowles; a segunda, no agrupamento sete, transcrita pela autora. Ambas no mesmo ano de 1865. A cópia enviada a Bowles foi publicada em 1894, a outra cópia em 1924. A transcrição para o agrupamento sofre duas alterações que veremos adiante. Colocaremos também o fac-símile do poema escrito no agrupamento sete. (Agrupamento e Fascículos são catalogações diferentes dos poemas, mas ambas feitas pela autora).

Before He comes, We weigh the Time,
‘Tis Heavy, and ‘tis Light -
When He departs, An Emptiness
Is the superior Freight -

Devemos observar que “before” é uma conjunção e, portanto rege um subjuntivo ou um infinitivo pessoal. Em inglês, o subjuntivo é um modo verbal nebuloso. Leremos a primeira linha de várias formas. “Before” pode ser “antes que”, “antes de”, “até” ou “até que”. Para cada um temos um sentido diferente para a frase. Precisamos ler o poema inteiro para saber qual o melhor sentido.

“Antes de Ele chegar, Pesamos o Tempo” ou “Antes de Ele vir, Carregamos o Tempo”. Podemos utilizar “chegar ou vir” e “pesar ou carregar”

Lendo o poema vemos que a conjunção não rege um subjuntivo e sim um infinitivo. Logo, apresento a seguinte tradução:

Até Ele chegar, Pesamos o Tempo,
É Pesado, e é Leve -
Quando Ele se vai, Um Vazio
Eis o Peso maior -

No manuscrito enviado a Samuel lemos a versão original da autora:

Before He comes,
We weigh the
Time,
‘Tis Heavy, and
‘tis Light -
When He departs,
An Emptiness
Is the superior
Freight -

A transcrição da autora para o agrupamento de número sete é apresentado abaixo:

Before He comes We weigh the Time,
‘Tis Heavy and ‘tis Light.
When He depart, an Emptiness
Is the prevailing Freight -

Há duas quebras de linha e duas variações: “He depart” no lugar de “He departs” e “prevailing” no lugar de “superior

Before He comes
We weigh the Time,
‘Tis Heavy and ‘tis Light.
When He depart, an
Emptiness
Is the prevailing Freight -

Até Ele vir
Pesamos o Tempo,
É Pesado e é Leve.
Quando Ele se for, um
Vazio
Eis o Peso que prevalece -

Podemos usar o subjuntivo na primeira linha, mas acho que não é esta a intenção da autora, visto que, se fosse subjuntivo não teríamos “s” na conjugação do verbo.

Usando o subjuntivo teríamos: “Até que Ele chegue, Pesamos o Tempo”. Ou “Até que Ele venha, Pesamos o Tempo”.

Podemos também optar por: “Antes de Ele chegar” ou “Antes de Ele vir”.

Um poema doloroso, o grande peso de uma ausência! Reparem a mudança quando se tira o “s” da conjugação do verbo “depart”. Temos o modo subjuntivo e não mais o indicativo. A quebra de linha deixando a palavra “an” separada no final da frase enfatiza a palavra “Emptness” aumentando ainda mais a dramaticidade do poema.



Vejam o fac-símile: