quinta-feira, 2 de abril de 2020

Emily Dickinson - Poema F952 (J847)


Emily Dickinson - Poema F952 (J847)

Poema escrito em 1865 no agrupamento de número sete e publicado em 1896 com um título: "Venture". No final mostraremos o fac-símile do original.

Finite - to fail, but infinite - to Venture -
For the one ship that struts the shore
Many’s the gallant - overwhelmed Creature
Nodding in Navies Nevermore -

Finito - para extinguir-se, mas infinito - para aventurar-se -
Todo navio que atravessa a costa
Imponente durante longo tempo - Criatura vencida
Assentimentos Navais, Nunca mais -

Não se sabe em que circunstância este poema foi escrito. Há muita elipse gramatical, poucos conectivos e expressões pouco utilizadas. Vou explicar, ou melhor, tentar explicar alguns termos do poema para que cada um possa também elaborar uma tradução.

A primeira linha diz que os grandes e pomposos navios de guerra, navios das forças armadas, dos fuzileiros navais, estes se acham infinitos para se aventurarem em lutas, se arriscarem; infinitos em coragem. Porém são finitos em suas falhas e derrotas, quer dizer, não pensam que as derrotas existem, fracassos existem - desprezam ou desconsideram estes acontecimentos. As palavras “finito” e “infinito” traduzem este sentimento de forma muito poética.

Na segunda linha a autora mostra para o leitor os navios que se aproam nas costas, nos portos e navegam pelas margens do mar. Note o sentido do verbo “To struts”. No contexto do poema significa “emproar-se” ou “aproar”. Também significa “tornar-se emproado”. A autora está utilizando este verbo (ao mesmo tempo) como termo de marinha e sua extensão de sentido. Eu achei melhor colocar o verbo “atravessar” que a meu ver tem os dois sentidos que a autora quer. A expressão “for the one ship” significa “para cada navio”, “para todo navio”, “para cada um navio”, “para um único navio” ou simplesmente “todo”.

Na terceira linha há uma expressão incomum, qual seja, “Many’s the” usada para designar uma coisa que acontece muitas vezes ou por um longo período de tempo.

Na quarta linha “nodding” que vem do verbo “to nod” significa menear a cabeça para cima e para baixo em um gesto de consentimento. Repare que é um gerúndio, isto é, o verbo é transformado em um substantivo: “na marinha nunca mais vou assentir”. “nunca mais vou menear a cabeça, consentir”. O verbo não está no particípio presente: “assentimentos navais” ou “assentir nas marinhas”; se transformaram em substantivos.

Veremos agora o fac-símile do original, manuscrito por ED e guardado por ela no agrupamento de número sete. (Set 7).

Finite - to fail, but
infinite - to Venture -
For the one ship that
struts the shore
Many’s the gallant -
overwhelmed Creature
Nodding in Navies
Nevermore - 


Em seus últimos anos de vida ED se enclausurou em seu quarto. Vestia-se só de branco. Neste tempo ela organizou seus escritos. Transcreveu quase todos para cadernos ou blocos costurados por ela. Organizou os poemas em “Sets” e em “Fascicles”, ou seja, em grupos e em fascículos. Transcrever não seria o correto nome: ela escreveu de novo todos os poemas e fez várias alterações, por isso há tanta discrepância. A versão final está nos grupos ou nos fascículos, mas existe uma versão anterior e nem todas foram perdidas. Logo, os editores costumam colocar as duas versões quando ambas estão disponíveis. As palavras agrupamento e fascículos se firmaram na nomenclatura e foram catalogadas com esses nomes e seus respectivos números de ordem organizacional. ED foi uma mulher muito peculiar. Vale a pena tentar desvendar os mistérios desta personalidade tão singular. Há várias biografias no mercado literário.

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