Emily
Dickinson - Poema F954 (J849)
Poema
manuscrito em 1865, localizado no agrupamento ou conjunto de número 7 com uma
quebra de linha. Publicado em 1945.
The good Will of a
Flower
The Man who would
possess
Must first present
Certificate
Of minted Holiness.
No
manuscrito temos seis linhas, pois há um quebra:
The good Will of a
Flower
The Man who would
possess
Must first present
Certificate
Of minted Holiness.
Duas
observações pertinentes. 1) A escrita separada de “goodwill” enfatiza o substantivo “Will” com letra maiúscula e o adjetivo “good”, separado, que o qualifica. 2) O verbo “To possess” está no futuro do pretérito, algo singular e
significativo poeticamente.
Vejamos
a tradução:
A
boa Vontade de uma Flor
Aquele
que possuiria
Deve
primeiro apresentar
Certificado
De
irrefutável Santidade.
O
recurso poético descrito na observação 2) é assaz primoroso e genial.
Constatamos que não há pretérito exposto no poema, mas há um futuro do
pretérito bem claro e estabelecido sintaticamente. Como lidar com essa
discrepância? Essa discordância?
Deveria
ser assim: “alguém, para possuir a boa vontade de uma flor, deve primeiramente
apresentar um certificado de libação irrefutável” ou “só aqueles que
apresentarem um certificado de cunhada santidade possuirão a boa vontade de uma
flor”. Em suma, para haver um futuro do pretérito é necessário que exista um
pretérito do qual ele é o futuro. Porém, no poema não há pretérito!
Este
recurso utilizado tem uma força expressiva excepcional. O pretérito virou
presente e deixou de existir, logo, não há alguém para possuir a boa vontade de
uma flor. Ele possuiria se tivesse feito algo no passado, mas não há mais este
passado para garantir a existência de seu futuro. Assim sendo, ninguém possui
ou possuirá a boa vontade de uma flor.
O
poema é, portanto, equivalente à seguinte sentença:
“No one possesses the good Will of a Flower”.
Temos
abaixo o fac-símile do original manuscrito no agrupamento de número 7.

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