domingo, 5 de abril de 2020

Emily Dickinson - Poema F954 (J849)


Emily Dickinson - Poema F954 (J849)

Poema manuscrito em 1865, localizado no agrupamento ou conjunto de número 7 com uma quebra de linha. Publicado em 1945.

The good Will of a Flower
The Man who would possess
Must first present Certificate
Of minted Holiness.

No manuscrito temos seis linhas, pois há um quebra:

The good Will of a Flower
The Man who would possess
Must first present
Certificate
Of minted Holiness.

Duas observações pertinentes. 1) A escrita separada de “goodwill” enfatiza o substantivo “Will” com letra maiúscula e o adjetivo “good”, separado, que o qualifica. 2) O verbo “To possess” está no futuro do pretérito, algo singular e significativo poeticamente.

Vejamos a tradução:

A boa Vontade de uma Flor
Aquele que possuiria
Deve primeiro apresentar
Certificado
De irrefutável Santidade.

O recurso poético descrito na observação 2) é assaz primoroso e genial. Constatamos que não há pretérito exposto no poema, mas há um futuro do pretérito bem claro e estabelecido sintaticamente. Como lidar com essa discrepância? Essa discordância?

Deveria ser assim: “alguém, para possuir a boa vontade de uma flor, deve primeiramente apresentar um certificado de libação irrefutável” ou “só aqueles que apresentarem um certificado de cunhada santidade possuirão a boa vontade de uma flor”. Em suma, para haver um futuro do pretérito é necessário que exista um pretérito do qual ele é o futuro. Porém, no poema não há pretérito!

Este recurso utilizado tem uma força expressiva excepcional. O pretérito virou presente e deixou de existir, logo, não há alguém para possuir a boa vontade de uma flor. Ele possuiria se tivesse feito algo no passado, mas não há mais este passado para garantir a existência de seu futuro. Assim sendo, ninguém possui ou possuirá a boa vontade de uma flor.

O poema é, portanto, equivalente à seguinte sentença:

No one possesses the good Will of a Flower”.

Temos abaixo o fac-símile do original manuscrito no agrupamento de número 7.



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