sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

O Discurso de Álvaro Alvim


O Discurso de Álvaro Alvim

Pois nunca deixará de haver pobres na terra; por isso, eu te ordeno: livremente, abrirás a mão para o teu irmão, para o necessitado, para o pobre da tua terra.

Deuteronômio11.15

Discursava a deputada Andreia de Jesus do alto da tribuna em uma das sessões da câmera. Audiência pequena, poucos parlamentares na plateia, mas todos prestavam muita atenção. Um deles era o deputado Álvaro Alvim, de cabeça baixa tomava nota constantemente.

Andreia falava o que sempre falou, repetia e repetia. Aplicava a ideia de Joseph Goebbels: a repetição de uma mentira a torna verdade. Ela repetia: em 2019 cumpri nosso primeiro ano de mandato, inaugurado com o feito histórico na política institucional mineira - pela primeira vez, uma mulher negra do PSOL ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Comentou sobre o mandato coletivo. Mandata Coletiva, dizia ela, pois somos quatro mulheres neste trabalho. A plateia já ouvira isso diversas vezes! Trabalhamos em pautas marginalizadas, continuou a deputada, nossa pauta abrange um mapa de lutas: combate ao racismo e à LGBT-fobia, feminismo, moradia popular, desencarceramento e respeito às comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ciganos, congadeiros e raizeiros. Andreia termina: o ano acaba; a luta não. Todos aplaudem!

Em seu canto, quieto, estava o deputado Alvim que pediu a palavra. Foi ao microfone e iniciou sua fala. Senhora deputada, neste mapa de lutas que a senhora citou há poucas, talvez nenhuma, que eu conheça. Não entendo toda essa veemência! Pergunto a Vossa Excelência: o que são ou quem são congadeiros? Será algo relacionado à congada? A deputada responde: sim, senhor Alvim, muito comum em Pernambuco. O deputado pensou um pouco e calmamente retrucou: ora, então é uma música misturada com dança, oriunda de escravos e relembram ou provocam antigas lutas entre tribos rivais do Congo e de Angola. A senhora vai me desculpar, retrucou Alvim, mas apoiar congadeiros é um ato fascista que vangloria guerras, agressões e atrocidades entre seres humanos; verdadeiro discurso de ódio. O partido socialista alemão iria simpatizar em apoiar o extermínio de tribos rivais por elas mesmas. Já pensou a senhora, estivessem em guerra os dois países até hoje? Angola tem sorte de falar português e o Congo, se é que existe ainda com este nome, mais vantagem ainda por falar francês. Note, então, deputada, que o colonialismo melhorou muito as condições sociais da África. Vou lhe dar mais um pouco de exemplos senhora deputada, falou Alvim, vejamos: o que seria da Índia sem os ingleses? O Quênia? África do Sul? Seriam um amontoado de tribos até hoje, analfabetos e selvagens! Os índios brasileiros, se não fosse Portugal, estariam comendo uns aos outros até hoje, isso se já não tivessem sido extintos! Os colonizadores salvaram os colonizados deles mesmos, completou Alvim.

A deputada Andreia se exaltou, deu uma tapa na mesa da tribuna e gritou: Vossa Excelência está me ofendendo. Senhor presidente, não quero mais ouvir este senhor, corte seu microfone. O presidente nada fez e pediu à Alvim que continuasse.

O deputado não quis prolongar muito e soltou uma frase de efeito: deputada Andreia, a senhora quer defender antropofagia e tacape ou vagabundo com pena na cabeça e sandália havaiana no pé? Ainda deu tempo de mais uma frase antes do chilique de Andreia. Enfatizou o deputado: se índio tivesse cultura não seria índio, ora!

Deus nos acuda! O tumulto tomou conta. As partidárias de Andreia xingavam, ralhavam, insultavam, injúrias e mais injúrias, ofensas e descomposturas. Alvim permanecia calado. Outros parlamentares entraram na balbúrdia e ninguém sabia quem defendia e quem atacava, não sabiam nem mesmo o que atacavam e o que defendiam, exceto as partidárias de Andreia, insuportáveis!

O presidente com muito custo pôs ordem na casa. Alvim foi ao microfone e conseguiu falar e ser ouvido. Disse ele: as senhoras deputadas da turma da deputada Andreia querem, com esta pauta, transformar o Brasil em um punhado de tribos. Querem manter estas minorias da mesma forma que elas eram há anos, as senhoras já perguntaram a eles se este é mesmo o desejo deles? A propósito, continuou Alvim, não vi no seu mapa, senhora Andreia, menção alguma em relação aos judeus. Acho que, na verdade, a senhora os odeia, é antissemita, antissionista, odeia os brancos, os bem sucedidos e os que trabalham para sustentar as famílias; mas todo final de semana está lá no jardim da Laila, semana passada vi a senhora lá, com o mesmo discurso de hoje. Ainda, deputada, excluir os judeus é um ato nazista e dizer que o “ano termina, mas a luta não” é um ato de extremo nacionalismo, não muito diferente do nacional socialismo de Goebbels. Se eu colocar uma música de Wagner ao fundo vamos nos sentir no quartel general de Hitler. Alvim continuou: sei que a senhora estava envolvida na pichação do mural dos reformadores em Genebra, pensa a senhora que eu não sei, mas sei e tenho provas. A senhora odeia os cristãos e está ligada aos muçulmanos. Sei que se sente bem com todo ato terrorista praticado por eles. Esqueceu-se de colocar no seu mapa a luta contra a islamofobia. Aprecia a islamização da Europa, não é mesmo senhora Andreia?

Novo tumulto, mas Alvim conseguiu retomar a palavra. Vou dizer algo muito importante e sério. Ouçam-me e já me calo, disse ele. Começou: senhoras e senhores; digo que todos nós, digo, todos, somos; homens, brancos, europeus e cristãos. Acabou de falar e protestos já soaram de imediato. Porém, acalmaram e Alvim disse: vou explicar o que quero dizer. Vou dar alguns exemplos e logo entenderão. Vamos lá. Pergunto: Barack Obama é homem, branco, europeu e cristão. Sim ou não? Outro exemplo; continuou Alvim: Margaret Thatcher é homem, branco, europeu e cristão. Discordam? Mais um: Nelson Mandela é homem, branco, europeu e cristão. Outro: Michael Jackson é preto ou branco? Criança ou adulto? Alvim sorriu: só uma brincadeirinha pessoal! Vejamos outro exemplo: Spike Lee é homem, branco, europeu e cristão. Oprah Winfrey é homem, branco, europeu e cristão. Bem, falou Alvim, chega de exemplos, já é o suficiente para perceberem que ser Homem, Branco, Europeu e Cristão é um conceito e não é definido por etnia, cor da pele, crença religiosa ou gênero. Senhora Andreia, entendo sua causa, sua conduta é cabível; o que é incabível é sua postura e de suas seguidoras, apesar de sentidos próximos as duas palavras são diferentes. Não interessa a nação alguma ter pessoas, maiorias ou minorias, desvalidas. Isso prejudica a nação, dá prejuízo, pois um desvalido não tem nada a perder. Uma pessoa que não tem nada a perder se torna perigosa e um bandido custa muito caro. É muito mais barato cuidar de um desvalido com ações públicas remediadoras do que sustentar um presidiário. Bandido preso é caro, solto é ameaço. Classes sociais diferentes são essenciais à nação. Uma empregada doméstica está muito bem incluída socialmente, um lixeiro também. Todos os grupos que a deputada colocou em sua pauta são muito bem incluídos e qualificados, não são desvalidos. O senhor se esqueceu dos LGBT’s deputado, disse uma partidária de Andreia interrompendo a fala de Alovim. Ah sim! Esqueci-me, mas não é difícil um exemplo, quer ouvir senhora? Sim, quero, respondeu. Pois bem: Elton John é homem, branco, europeu e cristão. Ficou satisfeita? Alvim voltou-se novamente para Andreia e continuou. Portanto, deputada Andreia, preocupe-se com os desvalidos e não fique aí fazendo papel ridículo tentando arrancar força política vinda de falsa piedade para com marginalizados. Nenhum deles é marginalizado, mas é conveniente para a senhora que o sejam. Isso se chama hipocrisia. A senhora quer que os outros pensem que Vossa Excelência não é homem, branco, europeu e cristão. Não adianta, pois só de ser deputada e frequentar o jardim da Laila já te torna homem, branco, europeu e cristão. Não há outra opção a menos que queira ser um excluído socialmente. E é democrático, pois todos podem ser HBEC. Não há lei que impeça.

Alvim agradece a presidência da mesa e antes de se virar para a direção de seu assento se desculpou: presidente; peço desculpas por ter ocupado seu tempo com argumentos enfadonhos e já tão desgastados. Argumentos repetitivos, caducos, tanto os meus quanto os da deputada carregando a bandeira dos oprimidos. É a mesma coisa que ouvir CD de piada do Juca Chaves ou assistir replay do Chacrinha. Transformamos esta casa em um centro de estudos da teologia da libertação e com este ato profanamos este templo e sua dignidade inerente. Finalizou: Desculpe-me e agora me retiro.

Andreia de Jesus, enfurecida e revoltada, fugindo do assunto, tentou uma última provocação. Gritou lá da tribuna onde estava: Senhor deputado Álvaro Alvim, o que me diz de um país que permite empresa construir barragens sem cumprir as devidas normas de segurança colocando a população em risco? Alvim percebeu que ela falava sobre a Vale do Rio Doce na cidade de Brumadinho, visto que a deputada é mineira. Alvim refletiu por um instante e respondeu com outra pergunta: muito bem cara colega deputada Andreia de Jesus, quero que antes me responda: o que a senhora me diz de um país cujas pessoas se mudam para Brumadinho adulterando local de residência só para receber indenização?

O presidente encerrou a sessão.

Um comentário:

  1. Ahmed, o texto é uma provocação a grupos políticos feministas. Todo esse diálogo é inventado. O autor está mostrando como está impossível falar sobre política, seja na direita ou na esquerda. Da próxima vez, escreva seu comentário em português! Facilita mais a comunicação. O texto é verossímel. Existem alguns grupos feministas que até cometem crimes. Sabia? Não é à toa que muitos estão sendo investigados pela POLÍCIA. Inclusive, há membros que já foram até presos! Membros ou membras?, sei lá! E há tb os que ainda serão, é claro. Muita gente finge desconhecer as leis e as investigações policiais. E nem adianta se esconderem atrás de fakes porque quase sempre deixam alguma pista pra POLÍCIA. Um amadorismo chocante! O Pedrinho foi descoberto muito facilmente. A "Gi", a "Cacá", a Sarinha, a Vaní etc etc etc. Deveriam saber que a POLÍCIA sempre estará (e está) protegendo as vítimas, não os criminosos. Óbvio, não? E que as policias se interconectam nos diferentes estados e países tb. Wilson Witzel, inclusive, tem feito um trabalho exemplar. A mídia inventa que a polícia mata inocentes. Mentira! Snipers não erram a mira nunca. Isso é invenção da esquerda. Os traficantes é que atiram em todas as direções, uma vez que não sao treinados. A POLÍCIA age em defesa da lei e da segurança dos cidadãos, enfretando qualquer tipo de vagabundo. Qualquer um que vier. Não há porque temer vagabundos e nem vagabundas. Deste modo, o texto desse autor é plausível com a realidade brasileira. Tá praticamente impossível conversar sobre política no Brasil. Tudo virou ódio e é o que o autor está falando. Na Câmara só há trocas de ofensas e conversas descabidas. Jogos de poder apenas. Do lado de fora da Câmara os dialogos tem sido na delegacia. Porque já estão virando casos de POLÍCIA. E as vítimas não vão mais baixar a cabeça, pois sabem perfeitamente que estão protegidas pela polícia, pela lei, pela política nacional e pelo sentimento de lealdade. Não era o Lula que repetia o Eduardo Galeano dizendo que é impossível matar uma ideia? Lealdade tb não se mata facilmente. Amizade tb não se mata facilmente. Amor tb não se mata facilmente. Um monte de coisa não se mata facilmente. Sobrevivem a quaisquer violências externas. A esquerda deveria saber que isso vai muito além das ideias. A propósito, que ideias a esquerda compreende?

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