O
Discurso de Álvaro Alvim
Pois nunca deixará de haver pobres na terra; por
isso, eu te ordeno: livremente, abrirás a mão para o teu irmão, para o
necessitado, para o pobre da tua terra.
Deuteronômio11.15
Discursava
a deputada Andreia de Jesus do alto da tribuna em uma das sessões da câmera.
Audiência pequena, poucos parlamentares na plateia, mas todos prestavam muita
atenção. Um deles era o deputado Álvaro Alvim, de cabeça baixa tomava nota
constantemente.
Andreia
falava o que sempre falou, repetia e repetia. Aplicava a ideia de Joseph
Goebbels: a repetição de uma mentira a torna verdade. Ela repetia: em 2019
cumpri nosso primeiro ano de mandato, inaugurado com o feito histórico na
política institucional mineira - pela primeira vez, uma mulher negra do PSOL
ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Comentou sobre o
mandato coletivo. Mandata Coletiva, dizia ela, pois somos quatro mulheres neste
trabalho. A plateia já ouvira isso diversas vezes! Trabalhamos em pautas marginalizadas,
continuou a deputada, nossa pauta abrange um mapa de lutas: combate ao racismo
e à LGBT-fobia, feminismo, moradia popular, desencarceramento e respeito às
comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ciganos, congadeiros e
raizeiros. Andreia termina: o ano acaba; a luta não. Todos aplaudem!
Em
seu canto, quieto, estava o deputado Alvim que pediu a palavra. Foi ao
microfone e iniciou sua fala. Senhora deputada, neste mapa de lutas que a
senhora citou há poucas, talvez nenhuma, que eu conheça. Não entendo toda essa
veemência! Pergunto a Vossa Excelência: o que são ou quem são congadeiros? Será
algo relacionado à congada? A deputada responde: sim, senhor Alvim, muito comum
em Pernambuco. O deputado pensou um pouco e calmamente retrucou: ora, então é
uma música misturada com dança, oriunda de escravos e relembram ou provocam
antigas lutas entre tribos rivais do Congo e de Angola. A senhora vai me
desculpar, retrucou Alvim, mas apoiar congadeiros é um ato fascista que
vangloria guerras, agressões e atrocidades entre seres humanos; verdadeiro
discurso de ódio. O partido socialista alemão iria simpatizar em apoiar o
extermínio de tribos rivais por elas mesmas. Já pensou a senhora, estivessem em
guerra os dois países até hoje? Angola tem sorte de falar português e o Congo,
se é que existe ainda com este nome, mais vantagem ainda por falar francês.
Note, então, deputada, que o colonialismo melhorou muito as condições sociais
da África. Vou lhe dar mais um pouco de exemplos senhora deputada, falou Alvim,
vejamos: o que seria da Índia sem os ingleses? O Quênia? África do Sul? Seriam
um amontoado de tribos até hoje, analfabetos e selvagens! Os índios
brasileiros, se não fosse Portugal, estariam comendo uns aos outros até hoje,
isso se já não tivessem sido extintos! Os colonizadores salvaram os colonizados
deles mesmos, completou Alvim.
A
deputada Andreia se exaltou, deu uma tapa na mesa da tribuna e gritou: Vossa
Excelência está me ofendendo. Senhor presidente, não quero mais ouvir este
senhor, corte seu microfone. O presidente nada fez e pediu à Alvim que
continuasse.
O
deputado não quis prolongar muito e soltou uma frase de efeito: deputada
Andreia, a senhora quer defender antropofagia e tacape ou vagabundo com pena na
cabeça e sandália havaiana no pé? Ainda deu tempo de mais uma frase antes do
chilique de Andreia. Enfatizou o deputado: se índio tivesse cultura não seria
índio, ora!
Deus
nos acuda! O tumulto tomou conta. As partidárias de Andreia xingavam, ralhavam,
insultavam, injúrias e mais injúrias, ofensas e descomposturas. Alvim
permanecia calado. Outros parlamentares entraram na balbúrdia e ninguém sabia
quem defendia e quem atacava, não sabiam nem mesmo o que atacavam e o que
defendiam, exceto as partidárias de Andreia, insuportáveis!
O
presidente com muito custo pôs ordem na casa. Alvim foi ao microfone e
conseguiu falar e ser ouvido. Disse ele: as senhoras deputadas da turma da
deputada Andreia querem, com esta pauta, transformar o Brasil em um punhado de
tribos. Querem manter estas minorias da mesma forma que elas eram há anos, as
senhoras já perguntaram a eles se este é mesmo o desejo deles? A propósito,
continuou Alvim, não vi no seu mapa, senhora Andreia, menção alguma em relação
aos judeus. Acho que, na verdade, a senhora os odeia, é antissemita,
antissionista, odeia os brancos, os bem sucedidos e os que trabalham para
sustentar as famílias; mas todo final de semana está lá no jardim da Laila,
semana passada vi a senhora lá, com o mesmo discurso de hoje. Ainda, deputada,
excluir os judeus é um ato nazista e dizer que o “ano termina, mas a luta não”
é um ato de extremo nacionalismo, não muito diferente do nacional socialismo de
Goebbels. Se eu colocar uma música de Wagner ao fundo vamos nos sentir no
quartel general de Hitler. Alvim continuou: sei que a senhora estava envolvida
na pichação do mural dos reformadores em Genebra, pensa a senhora que eu não
sei, mas sei e tenho provas. A senhora odeia os cristãos e está ligada aos
muçulmanos. Sei que se sente bem com todo ato terrorista praticado por eles.
Esqueceu-se de colocar no seu mapa a luta contra a islamofobia. Aprecia a
islamização da Europa, não é mesmo senhora Andreia?
Novo
tumulto, mas Alvim conseguiu retomar a palavra. Vou dizer algo muito importante
e sério. Ouçam-me e já me calo, disse ele. Começou: senhoras e senhores; digo
que todos nós, digo, todos, somos; homens, brancos, europeus e cristãos. Acabou
de falar e protestos já soaram de imediato. Porém, acalmaram e Alvim disse: vou
explicar o que quero dizer. Vou dar alguns exemplos e logo entenderão. Vamos
lá. Pergunto: Barack Obama é homem, branco, europeu e cristão. Sim ou não?
Outro exemplo; continuou Alvim: Margaret
Thatcher é homem, branco, europeu e cristão. Discordam? Mais um: Nelson Mandela
é homem, branco, europeu e cristão. Outro: Michael Jackson é preto ou branco? Criança
ou adulto? Alvim sorriu: só uma brincadeirinha pessoal! Vejamos outro exemplo: Spike
Lee é homem, branco, europeu e cristão. Oprah Winfrey é homem, branco, europeu
e cristão. Bem, falou Alvim, chega de exemplos, já é o suficiente para
perceberem que ser Homem, Branco, Europeu e Cristão é um conceito e não é
definido por etnia, cor da pele, crença religiosa ou gênero. Senhora Andreia,
entendo sua causa, sua conduta é cabível; o que é incabível é sua postura e de
suas seguidoras, apesar de sentidos próximos as duas palavras são diferentes. Não
interessa a nação alguma ter pessoas, maiorias ou minorias, desvalidas. Isso
prejudica a nação, dá prejuízo, pois um desvalido não tem nada a perder. Uma
pessoa que não tem nada a perder se torna perigosa e um bandido custa muito
caro. É muito mais barato cuidar de um desvalido com ações públicas remediadoras
do que sustentar um presidiário. Bandido preso é caro, solto é ameaço. Classes
sociais diferentes são essenciais à nação. Uma empregada doméstica está muito
bem incluída socialmente, um lixeiro também. Todos os grupos que a deputada
colocou em sua pauta são muito bem incluídos e qualificados, não são
desvalidos. O senhor se esqueceu dos LGBT’s deputado, disse uma partidária de
Andreia interrompendo a fala de Alovim. Ah sim! Esqueci-me, mas não é difícil
um exemplo, quer ouvir senhora? Sim, quero, respondeu. Pois bem: Elton John é
homem, branco, europeu e cristão. Ficou satisfeita? Alvim voltou-se novamente
para Andreia e continuou. Portanto, deputada Andreia, preocupe-se com os
desvalidos e não fique aí fazendo papel ridículo tentando arrancar força
política vinda de falsa piedade para com marginalizados. Nenhum deles é
marginalizado, mas é conveniente para a senhora que o sejam. Isso se chama
hipocrisia. A senhora quer que os outros pensem que Vossa Excelência não é
homem, branco, europeu e cristão. Não adianta, pois só de ser deputada e
frequentar o jardim da Laila já te torna homem, branco, europeu e cristão. Não
há outra opção a menos que queira ser um excluído socialmente. E é democrático,
pois todos podem ser HBEC. Não há lei que impeça.
Alvim
agradece a presidência da mesa e antes de se virar para a direção de seu assento
se desculpou: presidente; peço desculpas por ter ocupado seu tempo com
argumentos enfadonhos e já tão desgastados. Argumentos repetitivos, caducos,
tanto os meus quanto os da deputada carregando a bandeira dos oprimidos. É a
mesma coisa que ouvir CD de piada do Juca Chaves ou assistir replay do
Chacrinha. Transformamos esta casa em um centro de estudos da teologia da
libertação e com este ato profanamos este templo e sua dignidade inerente.
Finalizou: Desculpe-me e agora me retiro.
Andreia
de Jesus, enfurecida e revoltada, fugindo do assunto, tentou uma última
provocação. Gritou lá da tribuna onde estava: Senhor deputado Álvaro Alvim, o
que me diz de um país que permite empresa construir barragens sem cumprir as
devidas normas de segurança colocando a população em risco? Alvim percebeu que
ela falava sobre a Vale do Rio Doce na cidade de Brumadinho, visto que a
deputada é mineira. Alvim refletiu por um instante e respondeu com outra pergunta:
muito bem cara colega deputada Andreia de Jesus, quero que antes me responda: o
que a senhora me diz de um país cujas pessoas se mudam para Brumadinho
adulterando local de residência só para receber indenização?
O
presidente encerrou a sessão.
Ahmed, o texto é uma provocação a grupos políticos feministas. Todo esse diálogo é inventado. O autor está mostrando como está impossível falar sobre política, seja na direita ou na esquerda. Da próxima vez, escreva seu comentário em português! Facilita mais a comunicação. O texto é verossímel. Existem alguns grupos feministas que até cometem crimes. Sabia? Não é à toa que muitos estão sendo investigados pela POLÍCIA. Inclusive, há membros que já foram até presos! Membros ou membras?, sei lá! E há tb os que ainda serão, é claro. Muita gente finge desconhecer as leis e as investigações policiais. E nem adianta se esconderem atrás de fakes porque quase sempre deixam alguma pista pra POLÍCIA. Um amadorismo chocante! O Pedrinho foi descoberto muito facilmente. A "Gi", a "Cacá", a Sarinha, a Vaní etc etc etc. Deveriam saber que a POLÍCIA sempre estará (e está) protegendo as vítimas, não os criminosos. Óbvio, não? E que as policias se interconectam nos diferentes estados e países tb. Wilson Witzel, inclusive, tem feito um trabalho exemplar. A mídia inventa que a polícia mata inocentes. Mentira! Snipers não erram a mira nunca. Isso é invenção da esquerda. Os traficantes é que atiram em todas as direções, uma vez que não sao treinados. A POLÍCIA age em defesa da lei e da segurança dos cidadãos, enfretando qualquer tipo de vagabundo. Qualquer um que vier. Não há porque temer vagabundos e nem vagabundas. Deste modo, o texto desse autor é plausível com a realidade brasileira. Tá praticamente impossível conversar sobre política no Brasil. Tudo virou ódio e é o que o autor está falando. Na Câmara só há trocas de ofensas e conversas descabidas. Jogos de poder apenas. Do lado de fora da Câmara os dialogos tem sido na delegacia. Porque já estão virando casos de POLÍCIA. E as vítimas não vão mais baixar a cabeça, pois sabem perfeitamente que estão protegidas pela polícia, pela lei, pela política nacional e pelo sentimento de lealdade. Não era o Lula que repetia o Eduardo Galeano dizendo que é impossível matar uma ideia? Lealdade tb não se mata facilmente. Amizade tb não se mata facilmente. Amor tb não se mata facilmente. Um monte de coisa não se mata facilmente. Sobrevivem a quaisquer violências externas. A esquerda deveria saber que isso vai muito além das ideias. A propósito, que ideias a esquerda compreende?
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