quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

O Estranho Caso do Dr Jekyll


O Estranho Caso do Dr Jekyll

Rogo-vos que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados,
com toda a humildade e mansidão, com longanimidade,
suportando-vos uns aos outros em amor.


Efésios4.1,2

A ala de atendimento do hospital estava bem movimentada. Um grande corredor espaçoso com consultórios e salas que funcionavam como clínicas para pequenas intervenções cirúrgicas. Os pacientes eram chamados pelo nome e assim eram atendidos um por um, em uma interminável rotina diária. O Doutor Jekyll prestava atendimento neste setor do hospital. Era especialista em pequenas cirurgias, principalmente vasectomia.

Uma médica abriu a porta, o paciente saiu e ela chamou o próximo: senhor Gustavo Almeida. Ele prontamente se levantou e foi ao encontro da doutora que deixara a porta aberta e já sentada à sua mesa o aguardava. Outro médico, da mesma forma, abriu o consultório e chamou o paciente: senhor Adilson Pereira. Mais outro médico e mais outro. Os pacientes iam sendo atendidos. O doutor Jekyll terminou uma cirurgia e chamou o próximo da fila. Senhor Gonçalves dos Anjos. Este, sentado e distraído ouviu e perguntou: eu doutor? O senhor se chama Gonçalves? Perguntou Jekyll. Sim, doutor. Então venha, entre e deite de bruços ali naquela mesa. Deitar como doutor? Deite de barriga para baixo.

Uma enfermeira entrou e preparou o paciente para a cirurgia que iria suceder: uma vasectomia. O doutor Jekyll fez o procedimento e em quinze minutos o paciente já estava de pé. Prescreveu um remédio para dor e solicitou que voltasse no prazo de cinco dias. Finalizou as instruções e liberou o paciente.

Neste instante, o senhor Gonçalves, de pé junto à porta já pronto para sair da sala, parou, olhou para Jekyll e perguntou: doutor, o senhor não vai examinar o meu olho? Jekyll não entendeu o propósito da pergunta e com semblante expressando dúvida fez outra pergunta: Por que o olho, Gonçalves? E este calmamente explicou: ora, doutor, eu vim aqui para fazer um exame de vista, meu olho está lacrimejando muito e pela manhã acordo com ele grudado, depois melhora. Falaram para marcar uma consulta, tal de conjuntivite que está pegando em muita gente. O Doutor Jekyll, espantado, olhou para a ficha do paciente que estava sobre a mesa, olhou novamente para Gonçalves e indagou: seu nome é Gonçalves dos Anjos? Sim, doutor, Gonçalves Araújo. Jekyll ficou nervoso. Eu chamei Gonçalves dos Anjos e não Gonçalves Araújo, o senhor não ouviu? Claro que ouvi doutor, o senhor chamou o meu nome e eu atendi.

Fez-se silêncio e Jekyll fechou a porta e começou a falar com Gonçalves. Muito bem, senhor Gonçalves Araújo, muito bem. O senhor sabe a qual procedimento cirúrgico o senhor foi submetido? Gonçalves balbuciou: submetido? Procedimento cirúrgico? Sei não doutor. O médico continuou. O senhor é casado? Sim senhor. E tem filhos? Sim, doutor; tenho cinco filhos, três homens e duas mulheres. Ah! Ainda bem! Exclamou Jekyll um pouco aliviado. Chega aqui, vou examinar o seu olho. Examinou e prescreveu um colírio. Agora vá, está tudo bem. Se sentir dor volte aqui. Sim senhor, doutor, muito obrigado, fica com Deus. Em seguida, Jekyll chamou o próximo paciente.  

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